Azul ao lado

Era azul.
Era azul em movimento.
Era azul estático.
Era azul cortado de laranja.
Era azul dançando. Azul amassado, azul em volta, do lado, em cima e embaixo.
Era azul molhado.
Era azul estampado.
Era azul amado.
Azul era a minha cor favorita nessa tarde para se ter ao lado.
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Era um domingo

Era apenas um domingo. Um dia normal, daqueles em que fazemos as coisas lentamente como se as horas não passassem como nos outros dias.
Era um domingo. Não era feriado, não tinha marco de estação, não tinha nenhum evento acontecendo, nenhum convite para um passeio, nenhuma comida especial, nada de extraordinário.
Era um dia. O ultimo da semana, ou o primeiro. Não importa. Era um dia vazio de significado. sem nada marcante para me fazer lembrar desse dia.
E no meio desse nada, tinha um tudo, que me veio assolar, abrir os olhos e me fazer aterrar. Era a falta que você fazia a se apresentar.
Ninguém era interessante. Ninguém me fazia falar. Ninguém era desejado para na minha vida participar. Ninguém entendia o meu jeito de olhar, ninguém preenchia minha vontade de amar.
Era um dia, onde ninguém era nada, nem suficiente, nem importante, nem interessante. Era um  dia em que eu vi você deixar ser falta para em mim habitar.

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Feeling



Era Debussy. 
Era só sentir, se preencher de vibraçoes. Era só apaziguar internamente o sentir. Era só olhar. Era só arrepiar. Era só perceber. Era só ser eu, eu sem nenhum você. Era para ser. Era para ser...
Era ver. Ver lá fora, no breu de um céu do norte, o mundo girar. Girar sem me movimentar, sem me permitir passar, sem eu ver me afetar, sem nenhum você lá, sem nenhum você lá...
Era paz. Era brisa refrescante. Era nuvem saltitante. Era noite. Era som. Era ausência de luar, de brilhar. Era lá, sem nenhum você para estar, sem estar...
Era lindo. Era de expressar. Era vontande de se abrir, de arriscar, de se jogar, apaixonar, de correr, de flutuar; de algum você lá, de um você lá...
Era letra no ar, no olhar, no dedilhar, no despertar, no prazer de trancrever, de ter um você para inspirar. Era um você a se tornar, era você a adentrar...
Era medo a se espatifar. Era trauma a secar. Era dar sem esperar. Era ser sem comparar. Era você a chegar. Era você a me transformar...
Era vontade de se apaixonar, de romance no ar, de chorar, rir e fraquejar. Era ser para você o que esperar. Era permitir-te entrar. Era você com um eu a encaixar...
Era só um escutar, Era só você a me afetar.
Era Clair de lune a tocar.
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Merlin


Na aura de um ser livre repousa uma brisa leve.
Daquelas que te sopram longe,
Para onde se atinge o alvo mais certo: o si mesmo

Indefidas formas ainda aos olhos meus, que vejo em bruma tornar-se tangível.
Coração pertencente a um mundo felino,
mas desdobravel ao escarceu centauriano.

Beleza compreensível nos atos crédulos de suas ideias.
Algo ainda a desvendar na clareza das ideias mais certas de uma mente literária.

Tem os olhos virados para a garoua, cujos retornam apenas para
certezas incertas maravilhosas.
Vejo-me nas dobras do mapa, oferecendo das entranhas amoras mais valiosas.

De perder quero aquém, e asseguro o contentamento,
Na firmeza do pulsar imposto, ter-te louco mas ter-te perto.

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Sabotagem


Que mania triste que temos de nos permitir ser sujeitos de relações
vazias e inanimadas
Sucumbimos aos delírios dos devaneios afetivos q idealizamos e
aceitamos migalhas de amores de outrem achando q isso é suficiente
para encher um buraco de carência profunda de amor recíproco que não
recebemos e muito menos oferecemos
Por que sabotamos nosso emocional passando por situações efêmeras q figuram
pertencer a uma sequencia de frações sentimentais, mas que nunca se
tornam um completo suplemento de sentimentos?
Que esperança sofrívola e essa de encontrar o q se quer em pessoas q
já encontraram o que queriam, e isso não esta em você?
Por que permitir uma entrega da sua alma, maior que sua própria
escolha, a alguém com quem não pode sonhar, fazer planos, dar as mãos,
ter raiva, amar, se apaixonar 5 vezes em uma tarde, esperar, ter
duvidas, ter certeza, ter...?
Por que ir atrás de algo que corre, foge, desvia, salta, mas nunca em sua direção?
Porque se encantar por algo complexo, platonicamente concreto, físico,
corpóreo, intenso e descontinuo?
para que sentir saudade de pensamentos distantes, de traíras, de
relações desconexas, de sumiço, de nada de reciprocidade espontânea?
Não se deve querer alguém que quer outrem e estar ali achando q algum
dia isso pode ser recíproco, se não é agora, não será! Não sabote-se!
Escolha o que lhe oferece, apaixone-se por libertos, procure corações
vazios, esbarre em promessas substanciais, preencha-se de planos com
alguém que quer realiza-los com você.
Não é para ser uma regra, e para ser uma opção.
Sofrer por qualquer coisa não serve como substituto para a possibilidade
de um amor que vale a pena... Se não for completo, não queira, porque quando
for vai ser mágico, e ta faltando magia nesse vida chata!
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Sonho Bom


Há pessoas que aparecem em nossas vidas como se fossem a realização de um
sonho ideal. Falam as coisas certas, agem como deveriam, beijam como se nos amassem
de outras vidas, fundem seus corpos como se fossem um.
Contudo, assim como um sonho, você acorda e vê que aquilo não esta mais lá.
Tão rapidamente como um sonho longo num cochilo de 5 minutos, o toque,
o cheiro, a voz, os planos, as vontades se esvaem como se tudo fosse
irreal, inexistente. Sem aviso prévio, sem jus as juras, sem sentir falta de algo que fez bem.
Assim como algo que conclui seu tempo prematuro mais designado por um
destino cruel e ardiloso, que cisma em tornar coisas tão perfeitas em
relações frouxas e sem sentido de terem sequer existido.
Sabemos que foi tangível porque fica um perfume na roupa, um histórico nas
mensagens, marcas no corpo, sensações desagradáveis no coração, e dores
profundas na alma.
Só assim descubro que terei de guardar o sonho lá na fantasia dentro de
mim,  e continuarei fingindo que vivo na realidade.
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Aquitetando o Sentir



Entre um esquecimento débil você surgiu
Encantando com um olhar sutil
Não resisti a esse ser gentil
Que no raiar do sol sumiu.

A marca não era removível
Em mim um emanar terrível
De vontade de presença plausível
Por alguém talvez invisível.

Ao te ver em sequência me perdi
Quando com outrem te percebi
Entre lágrimas desisti
Mas em mim te vi ressurgir.

Num leito que me sentia estranha
Por não lhe expor das entranhas
Uma vontade de dividir minhas manhas
Como uma menina que sonha.

Nunca consegui lhe dizer o que sinto
Sempre preso tudo aqui dentro
Fico longe, fujo e minto
Pra não magoar um coração tão intenso.

Na incerteza não me arrisco
Perco o fio e arranho o disco
Sem mãos dadas ou beijo de visco
Em distância mantenho um aviso.

Em seus olhos sonoros revivi
Um sentido que nunca esqueci
Por amar muitas coisas em ti
Mas o medo me fez refletir.

Eu queria ter coragem
Pra transformar a imagem
Em ação ou paisagem
Das coisas que em mim se fazem.

Me perdoa não ser tão sincera
E ficar na espreita à espera
De uma luz a brilhar na janela
Em seu olhos, quem me dera.

Um dia ainda serei transparente
E vou curar esse meu coração doente
Parar de fingir não ser carente
E te agarrar com unhas e dentes.

Não se perca de mim por favor
Pode ser um misero temor
Pra manter com pouco louvor
Essa minha forma de amor.
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Literariedade

Escrever é um grande mistério
Que me faz da vida tirar o sério.
É um jeito de sobreviver, 
Só porque tenho tanto a dizer.

É assim que existo no mundo.
Faço jus à um conhecimento profundo,
Que não preenche vazio,
Nem mesmo forma um devaneio fugidio.

Mistura de sentindo com sentido.
Um jeitinho de viver fingindo
Que palavras não tem força.
E que seu mal uso não me enforca.

Tô fugindo desse (i) mundinho,
Onde felicidade é instantânea.
Que o efêmero é mais bonito
E mentira é espontânea.

Só não quero chegar ao final
E ver que tanta inquietação foi em vão.
Que o detrimento da mente não é normal
E que ingenuidade carente é extensão de um livre coração doente
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Desnortear


As vezes me pergunto: Por que nasci com asas tão grandes, sabendo voar tão alto, e vivendo em cativeiro?
Talvez eu tenha tido tudo em uma outra vida e esbanjei cada coisa que me foi dada de bom grado. Nessa vida eu vim para conquistar cada uma destas coisas que outrora tive, e dar o devido valor ao esforço que é necessário empregar, nessa vida tão mesquinha, para se conquistar, sequer, uma paz de espírito.
A tormenta que me assola é inconstante como o mar. Em meio à calmaria revolta-se e traz tanta coisa a tona que me sinto naufragando e me afogando em inumeras questões que não me largam, que me perseguem, que não consigo expurgar dessa passagem de vida por aqui. Mas, como no despertar de um sonho ruim, encontro-me víviva novamente, como se o mundo fosse bipolar e eu a única pessoa com consciência de sua incontância.
Embrenhada em um vazio que não se preenche nunca, mesmo com tantas possibilidades que gritam ao meu entorno, sinto como se estivesse perdida dentro de um labirinto infinito, e que nada fará eu encontrar o caminho, ou mesmo um caminho.
São momentos como este que questiono mais uma vez, incansavelmente, mesmo não recebendo nunca respostas, o por quê de não ter permanecido na ignorância, com rédeas para desbravar o mundo? Por quê me tornei consciente, permitindo que o conhecimento permeie minhas entranhas e me leve à dor sofrívola que sinto em me ver incapacitada de viver?
E é agora, atormentada por tantas questões, que tento compreender que carrego uma chaga nessa alma velha e matreira, que sempre me fará sofrer, indagar e recuar, mas nunca para eu estagnar, é apenas para que eu possa tomar impulso.
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Nunca é só saudade...


_ Isso tudo é saudade?
_ Não...

Isso tudo é saudade, desejo, querer,
ímpeto, ternura, vontade, volúpia,
conquista, insegurança, certeza, tristeza,
felicidade, raiva, amabilidade e beleza.

É dezembro!

Isso tudo é contato, olhar, toque,
química, conexão, beijo, saliva,
suor, pele, arranhão, gosto,
encaixe, cheiro, prazer e emoção.

É dezembro!

Isso tudo é sorvete, drink, andar,
filme, cinema, bala, sofá,
pés trocados, brownie, chocolate, finacier,
abraço apertado, guarda-chuva furado e não esquecer.

É dezembro!

Isso tudo é sentimento ainda nem sentido, palavras por dizer,
pensamento distraído e coisas a acontecer.
Isso tudo é dezembro, distante de você...
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Importe-se (Série Inquietações - Ensaios)


Muitas vezes pego-me questionando quando foi que as pessoas pararam de se importar umas com as outras. Reflito sobre todas as transições históricas, as revoluções tecnológicas, as mudanças econômicas, mas ainda não encontrei.
Não encontrei quando foi que deixamos de zelar pelos que gostamos, de sofrer com o sofrimento alheio, de rezar por causas que não são nossas, de ligar quando nos apaixonamos, de nos apaixonar.
Por que passamos a confundir individualidade com solidão, compartilhar com subtrair e 'eu te amo' com 'bom dia'?
A sensação de plenitude e completude são oriundas da felicidade compartilhada, das experiências marcantes e arriscadas, dos fracassos chorados e superados.
É preciso sofrer para crescer. E crescer não é se tornar seco, é sim aprender a amar melhor, viver melhor, crer melhor.
Incomoda-me ver como as pessoas pararam de crer umas nas outras, de se esforçar pela felicidade do outro, de buscar tudo que sua boca profere.
Talvez eu seja um dos poucos humanos que ainda acreditam na literariedade da vida, e talvez eu ainda morra disso...mas como posso me deixar sucumbir nessa ausência de responsabilidade coletiva, de amor recíproco, de humanidade?
A certeza do perecer é iminente, mas vou continuar a importar-me, pois são os que poetizam a vida que vivem, e não apenas sobrevivem.
Vivamos então!
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Meninice


Ahhh!! O que olhava aquela menina?

Queria de verdade era saber o que via...as vezes olhar não é ver...

Seus cachinhos castanhos, sua pequena extensão em cima de um apoio, na pontinha dos pés, queixo no limite do muro, e os olhos...Ahh!! Os olhos....sem cor para mim que não os vi, mas coloridos para o imaginar que deveria estar brotando de sua alma límpida e incorruptível até ali.

O que estava além do muro azul da casa da frente, que tampava a vista, mas que não impediam a menina de olhar e de ver o que queria? Ali sozinha, numa tarde morna e bela, intensamente bela, ela podia ser o queria ser.

Apenas criança...


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"Se o seu coração esta voando,

A cabeça girando.

Nova história esta começando!

Deixe o encantamento reinar em você...

Para todo o sempre"
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Sequestro (Parte II - Eduardo/2)


Após aquela loucura de estar amarrado, numa casa estranha, com uma mulher em cima, dentro, fora, do lado, dormindo. Acordei, e por alguns segundos hesitei em abrir os olhos.


Pensava...Na verdade pedia para que tivesse sido tudo um sonho.


Eu sei que era uma mulher linda que se deliciou com o tanger de nossas peles, mas podia ser uma louca que ia me matar depois de se satisfazer.


Resolvi olhar. _Fazer o que?Uma ora eu tinha que abrir meus olhos trêmulos. Foi então que me vi naquela mesma situação. Pés e mãos amarrados, boca selada, em um quarto de mulher.


Ela não estava mais adormecida ao meu lado, parecia que nem estava na casa, parecia tanta coisa que eu consegui imaginar em um segundo.


Comecei a pensar como sairia dali, se tinha jeito, que era um idiota._ Como uma mulher tão frágil, bonita, sexy, gostosa, podia comigo?


Comecei a forçar a barras da cama, mas só feria meus tornozelos e pulsos, até desistir. Queria água, comer, ir ao banheiro, sair...trabalhar! _O que meu chefe diria? Eu sumo e nem ligo? E quem iria acreditar que eu fui seqüestrado por uma louca-linda e sedenta de luxúria? Nem eu acreditava!


Comecei a cantar músicas na cabeça, e lembrei de Lara!


Que dia era hoje mesmo? O encontro! As músicas ao vivo, o sebo, os livros, os discos, os CDs, nossas mãos se tocando ao pegar um mesmo livro, o sorriso dela constrangido, o bar, as bebidas, elas ficando soltinha, minha mão na sua nuca de repente, um beijo lento até ela se entregar aos meus lábios, e eu poder degustá-la com a intensidade que sinto. _Ahh...! O fim da noite, o convite para entrar, os toques, os beijos, as peles sedentas de contato, a vontade fumegante de se conectar, o cheiro dela, o gosto dela, o prazer, o ápice, o depois... e eu aqui amarrado!!


Queria gritar, mas a fita? Com o pouco de saliva que me restava comecei a tentar retirar a fita com a língua, até ficar dormente. Até conseguir.


Assim que a fita saiu comecei a grita,r o mais alto que pude, precisava ver a Lara, como ia perder tudo aquilo, ali amarrado.


Gritava e nada acontecia, ninguém me ouvia, ia ficar ali até a louca voltar e repetir a dose.


As horas foram passando, e eu fui passando de um estado de revolta para um estado de submissão, e ali permaneci até achar que tinha parado de respirar.




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Depois de muito cápitulos reais, volto aos ficcionais...

Há no mundo algo que me inspira...as vezes cruzo com isso e isso me sequestra de volta para cá.

Aguarde que faltam 2 partes.
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Frases libertárias...



A distância está na sua vontade de chegar a algum lugar.

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Não olho para meus passos, olho à frente, quero ver o que há de vir.

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Sem pressa! Ou o tempo se encarrega ou o esquecimento...

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Meus braços podem não te alcançar, mas vou continuar com eles esticados em sua direção.

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Quando aglomerados de palavras não resolvem mais nada, é que percebemos que só precisamos de atitudes e ações.


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Quem me vê nessa alegria, não sabe das tristezas que carrego em mim.
Mas pra crescer forte é assim, muitos dias bons por um ruim.

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Natália Bittencourt
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Imaculado corrompido


Já não sinto mais prazer em ler-te. Suas palavras me parecem tão efêmeras agora, palavras que em seus complexos sentidos e enfileiradas confusamente, só me parecem um texto simples e sem literariedade.
Fostes um dia a exaltação da alma artística literária aos meus olhos. Olhos estes que não te veem mais como antes, que na verdade nem te veem. Cegos de uma voluptuosa indiferença corrompida por teus gracejos juvenis aglomerados a outrem.
Tua pureza digna de admiração e desejo, derreteu como cera ao ascender da vela, e a luminosidade calorosa emanada pela chama cegou, não só os olhos mas meus sentidos, antes dedicados a ti.
Tristes palavras minhas que se colocam no papel depois de tão inversa inspiração, tuas paginas não me arrepiam, nem enebriam mais.
Oh! Triste fim para tão gloriosa face das letras, que um dia mostrara sentidos unidas e hoje são embaralhados sonoros vazios.
Não há mais versos que me tragam tua musicalidade, nem há mais musicalidade em seus versos.
Griz inspiração essa que me permitistes, essa inspiração de desgosto da ausência da mesma, deveras falsa e imprópria, sem caos ou sofrimento, quiçá alegria e exaltação, inspiração vinda do vazio promovido por tuas páginas.
Livro este apenas apolínio, formas e estética, ainda que tortas, só formas e estética. Nada além de oco e eco desse faltar.
Folheio-te sem vontade, com a graça de uma menina que perdera a primavera de suas estações, e que das flores desenhadas nem o cheiro mais consegue imaginar.
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Bela manhã de Outono!


Saí de casa carregando algum peso, que acabou retardando minha percepção. Desatenta não vi que o dia tinha saído muito à minha frente. Enquanto eu dava passos arrastados, ele corria serelepe.
Só percebi que sua beleza esplendorosa tinha se mostrado hoje, quando me veio soprar o ouvido. Um vento sereno, contínuo e aconchegante, com um leve toque frio ao fim de sua envoltura morna.
Reparei que as pessoas estavam mais sorridentes e gentis. _Será que foi o bom-humor da estação que deixou esse anil, rachado pelo dourado quente, nos agraciar? Nem vou esforcar-me a saber, essa bela manhã não recomenda esforço e sim contemplação.
O peso que carregara se esvaiu, como as folhas envelhecidas que ao toque voluptuoso do vento se desprendem e entram no embalo soprante até deitarem em seu leito definitivo.
Em quanto o frio não vem, vou me permitir ser abraçada pelo emanar caloroso dessa bela manhã de outono.
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Chuvasco!


"Chovia chuviscos, e no charco chapinhava o petiz"
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Natalício


Todo Natal, nas mensagens que recebemos, vemos sempre que estão repletas de desejos e pedidos de Paz, Amor, Harmonia, entre outros. Sentimentos estes que dependem única e exclusivamente de nós mesmos. Então este ano eu não vou lhe desejar nenhum sentimento, vou lhe desejar ações.
Isso mesmo, aja! A vida é muito breve para que fiquemos esperando que a Paz, o Amor, a Harmonia cheguem até nós como presente de Natal ou promessa de Ano Novo.
Então desejo a você apenas três ações:
Primeiro, Perdoe. Esqueça aquela briga por causa do brigadeiro que queimou na panela e seu irmão riu uma semana de você. Desculpe seu namorado por não lembrar do dia que vocês fazem dois meses que escolheram a música de vocês ou mesmo desculpe aquele folgado que entrou na sua frente na escada rolante no meio do metro lotado.
A gente se irrita e guarda magoas de coisas desnecessárias. Se esvazie desses sentimentos, se liberte dos julgamentos, perdoe a todos e principalmente perdoe a si mesmo.
Agora que você já jogou fora todos esses sentimentos vazios, perdoou e foi perdoado, a segunda coisa a fazer é Ajudar.
Ajude um ceguinho irritado a atravessar a rua, mesmo que o sinal seja sonoro e que ele esteja atravessando aquela rua do lado esquerdo de uma praça que nunca passa carro nenhum. Colabore com a sua mãe na elaboração daquele arranjo de flores indianas que ela viu num programa brega das 14h da tarde, que ninguém vê, e que ela achou lindo, mas por ser um arranjo de 2 metros de altura ela não consegue fazer sozinha, e ela podendo pedir para seus outros 5 irmãos foi pedir justamente para você, ajude mesmo assim. Ou melhor ainda, apenas sorria para alguém emburrado e de um abraço naquele amigo reclamão.
A ajuda ao próximo fará você se preencher de coisas boas, porque dinheiro nenhum paga um obrigado de coração ou um sorriso de gratidão.
Agora você já se livrou dos sentimentos ruins, se encheu dos bons, não fez nada de difícil, e por terceira e ultima ação eu desejo que você Celebre.
Festeje os momentos com seus amigos, família, amores, inimigos, desconhecidos, todos que passarem na sua vida.
Comemore mesmo! Pule de alegria se quiser, fique em silencio se essa for sua maneira de celebrar, sorria, cante, dance, se misture às doideiras alheias, faça de cada momento uma festa, porque só o fato de você ter nascido, poder renovar seus desejos e promessas todos os dias ao acordar e saber que independente de qualquer outra pessoa a sua felicidade só cabe a você, são motivos suficientes para você comemorar.
Não espere para agir, faça isso esse ano ainda, porque o amanhã não existe, ele é apenas o hoje que já estamos vivendo. E não se esqueça que viver é arriscado, então se arrisque.
Que o seu Natal seja repleto de ações e que você não faça promessas para o Ano Novo, mas que você apenas realize!
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Os pontos dos contos


Os dias vão passar, e você vai cair no esquecimento.
Vou ver as pessoas e o mundo como sempre os vi. Vou me encantar por sorrisos, acreditar em sonhos, achar que nada é impossível e que eu posso o impossível. Vou chorar com histórias bonitas, escrever algumas, viver algumas.

Você vai viver seus momentos, talvés não veja as coisas com o mesmo entusiasmo que eu, mas as verá. O Sol vai continuar nascendo, brilhando e se pondo, e as noites sempre virão sombrias, com lua, estrelas, ou só com seu breu.

As pessoas vão passar, algumas eu não vou nem perceber, outras vou sentir intensamente, e assim como o tempo vão escorrer entre nossos membros e não voltarão. Mas eu vou continuar acreditando nelas. Vou ouvir que estou errada, que me permito encantar, que a vida não é assim.

Acredite, a minha é! Sinto-a como uma narrativa, um romance devido ao tamanho, e um paradoxo por ser real, nem sempre escrito com minhas palavras, nem sempre as personagens que quero ficam juntas, mas enriquecem a história. Aos poucos vou tentando moldá-la, mas acredito que ainda me faltam palavras, as que tenho não são suficientes.

Quando a minha história estiver em outro capítulo a sua também estará, as personagens vão mudar, e quem sabe em alguma aspas a gente possa ser uma citação, não mais que isso. Contudo os finais felizes só dependem do escritor, talvés você nunca faça parte do meu final. Pode ser que seu capítulo nem apareça na edição revisada, mas posso dizer que foi ótimo escrevê-lo. Agora vou arquivá-lo, em alguma pasta que talvés eu nunca mais encontre ou que com o tempo seja impossivel ler, se deteriore, não sei ao certo.

Na verdade te vejo mais como um conto que um capítulo. Um conto de uma lauda, rípido e objetivo, porém intenso em sua literariedade e complexo no seu desenrolar.
Estou sempre pronta à reescrever histórias, porém há momentos na vida que elas não devem nem ser recontadas.
Não quero ler nada desse conto agora, sequer a apresentação. Por um tempo não o farei, mas vou tentar editá-lo algum dia, pode ser que eu consiga, e o fim possa ser outro ou enfim se tornar um capítulo importante. Por agora só quero que seja uma página virada para que eu tenha uma em branco à escrever.
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Doação


Todo dia ele passava pela praça e via sempre as mesmas coisas, o pipoqueiro, o cara dos balões, as babás com as crianças, a galera da maromba, algumas pessoas passeando com seu cães. Atravessava-a para pegar o ônibus para o trabalho.
Todos os dias eram assim. Pipoqueiro, baloeiro, marombeiro, e por aí vai.
Contudo, um dia viu uma coisa muito intrigante. Uma jovem muito agraciada pela beleza, com olhos mareados, o rosto denunciando a noite tristonha, estava sentada num banco com um pedaço de papelão escrito com batom vermelho:
“Doa-se um coração”
Ele não sabia o que pensar. Será que ela iria morrer e queria que doassem seu coração? Ou ela era suicida e queria arrancar o coração? Alguém precisava ajudar essa moça.
Parou em frente a ela, que logo o indagou:
_ Você aceita o meu coração? – uma lágrima escorreu de seus olhos – Ele não tá muito bom, ainda bate, eu tive que colar ele de ontem para hoje, foi rápido, mas ficou direitinho.
Ele fez uma cara de estranheza e disse:
_ Moça, não preciso que me dê nada, só fiquei preocupado, você está bem?
As lágrimas escorriam por seu rosto lânguido e alvo, e quanto mais ela chorava mais branca ficava e seus lábios corados pareciam peças de carne sanguinolentas.
Entre soluços ela tentava contar uma história, mas nada se entendia, somente algumas onomatopéias saiam.
Sentou-se do lado dela, passou seu braço pelo ombro e disse:
_ Acalme-se, conte-me o que houve.
Ela respirou fundo, deu algumas fungadas, esfregou os olhos com as mão e começou.
_ Ontem a noite, eu tentei atravessar a rua da vida, deixei meu coração cair, veio um caminhão e o atropelou. Doeu tanto, o vi partir e esmigalhar em muitos pedacinhos. Esperei o sinal fechar, recolhi tudo e colei. – Ele achava tudo muito esquisito mas não a interrompeu – Sabe não é a primeira vez que isso acontece. Sempre que me distraio e o perco, ou o preencho e fica pesado, ele cai, espatifa no chão, ou é pisado, atropelado, se parte, eu cato, colo, e fico com ele de novo. Sempre falta um pedacinho, nunca fica perfeito, mas bate, sempre volta a bater. Não é incrível?
Ele acenou com a cabeça que sim, e ela continuou.
_ Sabe o que é mais incrível? É que sempre quando você acha que ele ta seguro, em mãos confiáveis, é que a queda é maior.
Ele já não se segurando para falar, disse:
_ Mas se ele bate, funciona bem, e ainda, mesmo faltando pedaços, sobrevive a tantas desilusões, porque quer se desfazer dele?
_ Porque acho que nunca vou saber usar, e sempre tem alguém precisando mais que eu. Eu desisto, não preciso de um coração, já não me serve mais.
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