Nunca é só saudade...


_ Isso tudo é saudade?
_ Não...

Isso tudo é saudade, desejo, querer,
ímpeto, ternura, vontade, volúpia,
conquista, insegurança, certeza, tristeza,
felicidade, raiva, amabilidade e beleza.

É dezembro!

Isso tudo é contato, olhar, toque,
química, conexão, beijo, saliva,
suor, pele, arranhão, gosto,
encaixe, cheiro, prazer e emoção.

É dezembro!

Isso tudo é sorvete, drink, andar,
filme, cinema, bala, sofá,
pés trocados, brownie, chocolate, finacier,
abraço apertado, guarda-chuva furado e não esquecer.

É dezembro!

Isso tudo é sentimento ainda nem sentido, palavras por dizer,
pensamento distraído e coisas a acontecer.
Isso tudo é dezembro, distante de você...
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Importe-se (Série Inquietações - Ensaios)


Muitas vezes pego-me questionando quando foi que as pessoas pararam de se importar umas com as outras. Reflito sobre todas as transições históricas, as revoluções tecnológicas, as mudanças econômicas, mas ainda não encontrei.
Não encontrei quando foi que deixamos de zelar pelos que gostamos, de sofrer com o sofrimento alheio, de rezar por causas que não são nossas, de ligar quando nos apaixonamos, de nos apaixonar.
Por que passamos a confundir individualidade com solidão, compartilhar com subtrair e 'eu te amo' com 'bom dia'?
A sensação de plenitude e completude são oriundas da felicidade compartilhada, das experiências marcantes e arriscadas, dos fracassos chorados e superados.
É preciso sofrer para crescer. E crescer não é se tornar seco, é sim aprender a amar melhor, viver melhor, crer melhor.
Incomoda-me ver como as pessoas pararam de crer umas nas outras, de se esforçar pela felicidade do outro, de buscar tudo que sua boca profere.
Talvez eu seja um dos poucos humanos que ainda acreditam na literariedade da vida, e talvez eu ainda morra disso...mas como posso me deixar sucumbir nessa ausência de responsabilidade coletiva, de amor recíproco, de humanidade?
A certeza do perecer é iminente, mas vou continuar a importar-me, pois são os que poetizam a vida que vivem, e não apenas sobrevivem.
Vivamos então!
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Meninice


Ahhh!! O que olhava aquela menina?

Queria de verdade era saber o que via...as vezes olhar não é ver...

Seus cachinhos castanhos, sua pequena extensão em cima de um apoio, na pontinha dos pés, queixo no limite do muro, e os olhos...Ahh!! Os olhos....sem cor para mim que não os vi, mas coloridos para o imaginar que deveria estar brotando de sua alma límpida e incorruptível até ali.

O que estava além do muro azul da casa da frente, que tampava a vista, mas que não impediam a menina de olhar e de ver o que queria? Ali sozinha, numa tarde morna e bela, intensamente bela, ela podia ser o queria ser.

Apenas criança...


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"Se o seu coração esta voando,

A cabeça girando.

Nova história esta começando!

Deixe o encantamento reinar em você...

Para todo o sempre"
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Sequestro (Parte II - Eduardo/2)


Após aquela loucura de estar amarrado, numa casa estranha, com uma mulher em cima, dentro, fora, do lado, dormindo. Acordei, e por alguns segundos hesitei em abrir os olhos.


Pensava...Na verdade pedia para que tivesse sido tudo um sonho.


Eu sei que era uma mulher linda que se deliciou com o tanger de nossas peles, mas podia ser uma louca que ia me matar depois de se satisfazer.


Resolvi olhar. _Fazer o que?Uma ora eu tinha que abrir meus olhos trêmulos. Foi então que me vi naquela mesma situação. Pés e mãos amarrados, boca selada, em um quarto de mulher.


Ela não estava mais adormecida ao meu lado, parecia que nem estava na casa, parecia tanta coisa que eu consegui imaginar em um segundo.


Comecei a pensar como sairia dali, se tinha jeito, que era um idiota._ Como uma mulher tão frágil, bonita, sexy, gostosa, podia comigo?


Comecei a forçar a barras da cama, mas só feria meus tornozelos e pulsos, até desistir. Queria água, comer, ir ao banheiro, sair...trabalhar! _O que meu chefe diria? Eu sumo e nem ligo? E quem iria acreditar que eu fui seqüestrado por uma louca-linda e sedenta de luxúria? Nem eu acreditava!


Comecei a cantar músicas na cabeça, e lembrei de Lara!


Que dia era hoje mesmo? O encontro! As músicas ao vivo, o sebo, os livros, os discos, os CDs, nossas mãos se tocando ao pegar um mesmo livro, o sorriso dela constrangido, o bar, as bebidas, elas ficando soltinha, minha mão na sua nuca de repente, um beijo lento até ela se entregar aos meus lábios, e eu poder degustá-la com a intensidade que sinto. _Ahh...! O fim da noite, o convite para entrar, os toques, os beijos, as peles sedentas de contato, a vontade fumegante de se conectar, o cheiro dela, o gosto dela, o prazer, o ápice, o depois... e eu aqui amarrado!!


Queria gritar, mas a fita? Com o pouco de saliva que me restava comecei a tentar retirar a fita com a língua, até ficar dormente. Até conseguir.


Assim que a fita saiu comecei a grita,r o mais alto que pude, precisava ver a Lara, como ia perder tudo aquilo, ali amarrado.


Gritava e nada acontecia, ninguém me ouvia, ia ficar ali até a louca voltar e repetir a dose.


As horas foram passando, e eu fui passando de um estado de revolta para um estado de submissão, e ali permaneci até achar que tinha parado de respirar.




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Depois de muito cápitulos reais, volto aos ficcionais...

Há no mundo algo que me inspira...as vezes cruzo com isso e isso me sequestra de volta para cá.

Aguarde que faltam 2 partes.
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