Natalício


Todo Natal, nas mensagens que recebemos, vemos sempre que estão repletas de desejos e pedidos de Paz, Amor, Harmonia, entre outros. Sentimentos estes que dependem única e exclusivamente de nós mesmos. Então este ano eu não vou lhe desejar nenhum sentimento, vou lhe desejar ações.
Isso mesmo, aja! A vida é muito breve para que fiquemos esperando que a Paz, o Amor, a Harmonia cheguem até nós como presente de Natal ou promessa de Ano Novo.
Então desejo a você apenas três ações:
Primeiro, Perdoe. Esqueça aquela briga por causa do brigadeiro que queimou na panela e seu irmão riu uma semana de você. Desculpe seu namorado por não lembrar do dia que vocês fazem dois meses que escolheram a música de vocês ou mesmo desculpe aquele folgado que entrou na sua frente na escada rolante no meio do metro lotado.
A gente se irrita e guarda magoas de coisas desnecessárias. Se esvazie desses sentimentos, se liberte dos julgamentos, perdoe a todos e principalmente perdoe a si mesmo.
Agora que você já jogou fora todos esses sentimentos vazios, perdoou e foi perdoado, a segunda coisa a fazer é Ajudar.
Ajude um ceguinho irritado a atravessar a rua, mesmo que o sinal seja sonoro e que ele esteja atravessando aquela rua do lado esquerdo de uma praça que nunca passa carro nenhum. Colabore com a sua mãe na elaboração daquele arranjo de flores indianas que ela viu num programa brega das 14h da tarde, que ninguém vê, e que ela achou lindo, mas por ser um arranjo de 2 metros de altura ela não consegue fazer sozinha, e ela podendo pedir para seus outros 5 irmãos foi pedir justamente para você, ajude mesmo assim. Ou melhor ainda, apenas sorria para alguém emburrado e de um abraço naquele amigo reclamão.
A ajuda ao próximo fará você se preencher de coisas boas, porque dinheiro nenhum paga um obrigado de coração ou um sorriso de gratidão.
Agora você já se livrou dos sentimentos ruins, se encheu dos bons, não fez nada de difícil, e por terceira e ultima ação eu desejo que você Celebre.
Festeje os momentos com seus amigos, família, amores, inimigos, desconhecidos, todos que passarem na sua vida.
Comemore mesmo! Pule de alegria se quiser, fique em silencio se essa for sua maneira de celebrar, sorria, cante, dance, se misture às doideiras alheias, faça de cada momento uma festa, porque só o fato de você ter nascido, poder renovar seus desejos e promessas todos os dias ao acordar e saber que independente de qualquer outra pessoa a sua felicidade só cabe a você, são motivos suficientes para você comemorar.
Não espere para agir, faça isso esse ano ainda, porque o amanhã não existe, ele é apenas o hoje que já estamos vivendo. E não se esqueça que viver é arriscado, então se arrisque.
Que o seu Natal seja repleto de ações e que você não faça promessas para o Ano Novo, mas que você apenas realize!
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Os pontos dos contos


Os dias vão passar, e você vai cair no esquecimento.
Vou ver as pessoas e o mundo como sempre os vi. Vou me encantar por sorrisos, acreditar em sonhos, achar que nada é impossível e que eu posso o impossível. Vou chorar com histórias bonitas, escrever algumas, viver algumas.

Você vai viver seus momentos, talvés não veja as coisas com o mesmo entusiasmo que eu, mas as verá. O Sol vai continuar nascendo, brilhando e se pondo, e as noites sempre virão sombrias, com lua, estrelas, ou só com seu breu.

As pessoas vão passar, algumas eu não vou nem perceber, outras vou sentir intensamente, e assim como o tempo vão escorrer entre nossos membros e não voltarão. Mas eu vou continuar acreditando nelas. Vou ouvir que estou errada, que me permito encantar, que a vida não é assim.

Acredite, a minha é! Sinto-a como uma narrativa, um romance devido ao tamanho, e um paradoxo por ser real, nem sempre escrito com minhas palavras, nem sempre as personagens que quero ficam juntas, mas enriquecem a história. Aos poucos vou tentando moldá-la, mas acredito que ainda me faltam palavras, as que tenho não são suficientes.

Quando a minha história estiver em outro capítulo a sua também estará, as personagens vão mudar, e quem sabe em alguma aspas a gente possa ser uma citação, não mais que isso. Contudo os finais felizes só dependem do escritor, talvés você nunca faça parte do meu final. Pode ser que seu capítulo nem apareça na edição revisada, mas posso dizer que foi ótimo escrevê-lo. Agora vou arquivá-lo, em alguma pasta que talvés eu nunca mais encontre ou que com o tempo seja impossivel ler, se deteriore, não sei ao certo.

Na verdade te vejo mais como um conto que um capítulo. Um conto de uma lauda, rípido e objetivo, porém intenso em sua literariedade e complexo no seu desenrolar.
Estou sempre pronta à reescrever histórias, porém há momentos na vida que elas não devem nem ser recontadas.
Não quero ler nada desse conto agora, sequer a apresentação. Por um tempo não o farei, mas vou tentar editá-lo algum dia, pode ser que eu consiga, e o fim possa ser outro ou enfim se tornar um capítulo importante. Por agora só quero que seja uma página virada para que eu tenha uma em branco à escrever.
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Doação


Todo dia ele passava pela praça e via sempre as mesmas coisas, o pipoqueiro, o cara dos balões, as babás com as crianças, a galera da maromba, algumas pessoas passeando com seu cães. Atravessava-a para pegar o ônibus para o trabalho.
Todos os dias eram assim. Pipoqueiro, baloeiro, marombeiro, e por aí vai.
Contudo, um dia viu uma coisa muito intrigante. Uma jovem muito agraciada pela beleza, com olhos mareados, o rosto denunciando a noite tristonha, estava sentada num banco com um pedaço de papelão escrito com batom vermelho:
“Doa-se um coração”
Ele não sabia o que pensar. Será que ela iria morrer e queria que doassem seu coração? Ou ela era suicida e queria arrancar o coração? Alguém precisava ajudar essa moça.
Parou em frente a ela, que logo o indagou:
_ Você aceita o meu coração? – uma lágrima escorreu de seus olhos – Ele não tá muito bom, ainda bate, eu tive que colar ele de ontem para hoje, foi rápido, mas ficou direitinho.
Ele fez uma cara de estranheza e disse:
_ Moça, não preciso que me dê nada, só fiquei preocupado, você está bem?
As lágrimas escorriam por seu rosto lânguido e alvo, e quanto mais ela chorava mais branca ficava e seus lábios corados pareciam peças de carne sanguinolentas.
Entre soluços ela tentava contar uma história, mas nada se entendia, somente algumas onomatopéias saiam.
Sentou-se do lado dela, passou seu braço pelo ombro e disse:
_ Acalme-se, conte-me o que houve.
Ela respirou fundo, deu algumas fungadas, esfregou os olhos com as mão e começou.
_ Ontem a noite, eu tentei atravessar a rua da vida, deixei meu coração cair, veio um caminhão e o atropelou. Doeu tanto, o vi partir e esmigalhar em muitos pedacinhos. Esperei o sinal fechar, recolhi tudo e colei. – Ele achava tudo muito esquisito mas não a interrompeu – Sabe não é a primeira vez que isso acontece. Sempre que me distraio e o perco, ou o preencho e fica pesado, ele cai, espatifa no chão, ou é pisado, atropelado, se parte, eu cato, colo, e fico com ele de novo. Sempre falta um pedacinho, nunca fica perfeito, mas bate, sempre volta a bater. Não é incrível?
Ele acenou com a cabeça que sim, e ela continuou.
_ Sabe o que é mais incrível? É que sempre quando você acha que ele ta seguro, em mãos confiáveis, é que a queda é maior.
Ele já não se segurando para falar, disse:
_ Mas se ele bate, funciona bem, e ainda, mesmo faltando pedaços, sobrevive a tantas desilusões, porque quer se desfazer dele?
_ Porque acho que nunca vou saber usar, e sempre tem alguém precisando mais que eu. Eu desisto, não preciso de um coração, já não me serve mais.
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Desabafo II


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Fui buscar conforto na melancolia de Billie Holliday, e a vontade de cuspir toda essa dor que me corrói foi crescendo que tive que escrever.
Lembro sempre do sábio que me disse “Escreve que melhora”, mas dessa vez esse não é bem o objetivo. Sei que não vai melhorar nada, porque eu não quero ainda que esse sentimento saia de mim. Talvez seja burrice da minha parte mas não dá para jogar fora algo que você quis tanto que acontecesse.
Eu já sei como tudo funciona, e quem sempre fica sozinha sou eu, mas eu não sei mais o que fazer. Ah! Como já desejei, várias vezes, ser daquele tipo que olha nos olhos e diz: _ Fica comigo que eu te faço feliz! Ou: ­_ Esquece ela, ou deixa que eu te faço esquecer!
Mas não sei ser assim, é exatamente isso que eu queria que acontecesse, mas de que adianta quem acaba sozinha sou eu.
Está doendo mais do que imaginei que fosse doer, como eu queria que não fosse verdade, mas é, sempre, e nessas horas a gente pensa que a culpa é nossa, que nunca vai dar certo, ou que não somos merecedoras de ser correspondidas a altura. Digo no plural porque acho que não sou só eu que sinto as coisas assim.
Mas meu coração está cansado de mais, passar por isso sempre, talvez não só o meu no mundo, mas nessas horas o mundo fica tão pequeno, não importa quanta gente sofre também, porque ninguém está sentindo a minha dor, só eu.
As pessoas falam sempre os mesmos conselhos, e fazem sempre as mesmas apostas para o futuro, mas eu não quero saber, não consigo absorver nada agora, ta doendo de verdade, muito.
Odeio quando isso acontece, você fica com medo de se envolver, e quando você decide se arriscar quebra a cara. Não importa saber que o tempo passa, que você supera, que você esquece, porque isso não muda a dor que você sente.
E sabe o que eu mais odeio? É ter que ouvir o quanto a gente é boa, inteligente, especial, entre outras qualidades que as pessoas repetem incansavelmente, para dizer que a outra pessoa não nos merece.
Então farei um desejo para qualquer santo, ou estrela cadente que me aparecer, quero ser menos boa, menos inteligente, menos especial, entre outras qualidades para que me mereçam. Porque não me adianta ser nada se quem acaba sozinha sou eu.
Não quero me apegar aos meus livros, amigos, nem nada que me distraia, não há musica, nem remédio que faça essa vontade de arrancar fora o coração e por uma pedra no lugar, suma.
Eu quero meus abraços de volta, meus beijos, meus sorrisos, não quero me acostumar com essa idéia de não te ter mais, quero as faltas de léxico que acho tão bonitinho, quero ficar esperando o falar depois do “deixa eu te falar nat” , só quero isso de volta.
Não quero o amor de Hollywood. Quero sentir medo e saber exatamente para quem ligar, quero falar de qualquer assunto sem ser chata, eu só queria você comigo.
Quantas vezes eu olhei para telefone e quis ligar, para falar nada, só ouvir a voz que não sai da minha cabeça. Ah! As fotos são as minhas piores inimigas, me remetem lembranças que me doem mais porque me fazem tão bem, e por isso acabam comigo.
Não consigo parar de me indagar ou procurar um porque, mesmo já o conhecendo. É como se as idéias ou o coração não permitissem que eu me apegue a uma verdade. E a única coisa que repete na minha cabeça é o quanto eu queria que ele voltasse para mim.
Mas agora é agonizar até que o tempo se encarregue de curar essa ferida que sangra, dói e me faz chorar. Enquanto espero um milagre talvez, vou fazer da minha dor o meu abrigo. Porque as pessoas vão sempre nos magoar, mas eu tenho o direito de escolher por quem vale a pena sofrer. E quer saber? Acho que por ele vale muito a pena.
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